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Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

Querer não é poder!

Esse post surgiu da observação de uma tarde no clube. Pais e filhos, buscando a descontração e o frescor da piscina do clube me fizeram pensar em como anda a educação e o relacionamento entre estes. Não estou julgando ninguém, até pq não existe manual da familia modelo e nem a minha própria familia é exemplo disto, mas algumas situações que pude presenciar não acontecem simplesmente pq tomamos as rédeas da educação.

Como está no título do post - querer não é poder - não quando a pessoa que quer tem parcos anos de vida! E foi o contrário disso que vi por uma tarde inteira. Filhos querendo, querendo e querendo e pais cedendo, cedendo e cedendo. Algumas vzs dizer não aos filhos por algo pequeno ensina-os muito mais do que qualquer sermão ou castigo. Fiquei boquiaberta presenciando a manipulação de pequenos tiranos, cujas noções de juízo, senso comum e sociedade ainda não se formaram (e por certo serão deturpadas se ninguém lhes impor algum limite) para com seus pais. 

O sol anda de lascar. A capital tem enfrentado um calor terrível e mesmo que fiquemos só com os olhinhos fora da água da piscina, ainda assim o uso do protetor solar é imprescindível. Só que vi crianças simplesmente ignorando mães que imploravam para lhes proteger dos raios UV. Davam as costas, respondiam de forma malcriada. As mães... as mães viravam para os conhecidos e repetiam para si em voz alta, talvez no intuito de acharem uma desculpa para si, que as crianças eram resistentes, que a água das piscina refletia o sol, que não paravam tempo suficiente para se queimarem. Uma lástima ver isso! Certamente é só um exemplo de como são ouvidas em todo resto do tempo.

Mas..  ufa! nem tudo está perdido! Neste mesmo dia vi mãe e dois meninos (lá pelos 6 anos) que abusavam dos pulos na piscina olímpica, correndo pela borda, num risco claro de escorregarem, propiciando um acidente grave. Ela os chamou e orientou - "façam assim, façam assado, pq do modo como estão fazendo vão se machcar".. eles ouviram e.. simplesmente continuaram agindo da mesma forma. A mãe não teve dúvida: catou seus pertences, tirou os meninos d'água e foi embora. Durante o percurso pude ouvir os resmungos deles acompanhado da sentença da valorosa mãe: "Eu disse a vcs e uma que não obedecem, vamos pra casa".  Me deu vontade de bater palmas! Imaginem só: ela abriu mão de uma tarde refrescante em nome da educação de seus filhos. Quantos pais fariam isso? Provavelmente se encheriam de desculpas, complacentes com aquela bobagem infantil,  ignorando o que pequenas punições são capazes na vida de nossos filhos. Talvez ela devesse ter lhes imputado um castigo ali mesmo, mas vai saber como eles reagiriam... então presumo que ela conheça bem os filhos que tem e esta lhe pareceu a melhor das atitudes.

O fato não acontece com freqüência, talvez pq o pouco tempo que os pais dispõem em companhia de seus filhos sejam compensados por essas pequenas concessões, em nome da tranqüilidade, da harmonia, do convívio sem mais estresse do que o habitual.  No meu entender isso custa caro. A vida cobrará igualmente de pais e filhos, cada qual em uma moeda, mas que será custoso para ambos.

Não julgo ninguém, como escrevi antes, e este post não esgota um assunto tão extenso e complexo, mas reconheço o quão difícil é educar e, sem sombra de dúvida, ter consciência de que pequenos gestos contribuem imensamente com a educação de nossos filhos. Isso me lembra do mail que circula por aí onde um pai leva seu filho ao parque e chegando lá o menino não pode entrar num dos brinquedos devido a sua pouca idade. O vendedor de bilhetes insinua ao pai que, por seu filho ser maior que os de sua idade, ninguém perceberia. Ao que o pai recusa o bilhete e acrescenta: os outros podem não saber, mas ele sim! Essa é uma lição que a criança levará para o resto de sua vida.

E então? Será que querer é realmente  poder?

3 comentários:

Sandra disse...

dizer não.... é limite e
faz bem pra quem fala e pra quem aceita ouví-lo...
mas pra certas pessoas isso é reviver
com os filhos a tristeza da propria infância...adultos mimados e com baixa tolerância a frustração geram esse tipo de cenas lamentáveis

gostei do post


bjo

Paulo Sávio Alves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo Sávio Alves disse...

Claudinha, através do Neto cheguei ao seu blog, está ótimo.
Hoje em dia, educar é um desafio, conduzir a um perfil adequado aos filhos está cada vez mais difícil em virtude da necessidade dos pais trabalharem, em função das secretárias do lar, que acabam compondo uma parte do tempo dos pais na educação dos filhos, da televisão que invade nossos lares antecipando a maturidade e a sexualidade dos nossos filhos e, da possibilidade de acesso à internet que pode lhe dar todo tipo de informação, sem que peçamos conduzi-lo àquilo que é adequado à idade dele.
Enfim, é realmente um desafio criar e educar os filhos nos dias de hoje.
Parabéns pelo post.