Quase todos os dias da semana me atiro na BR 116. Adoro dirigir e dificilmente me estresso com as tranqueiras. Mas o que me tira do sério é a falta de educação do motorista gaúcho. A velocidade permitida é de 80 km/h - o que acho simplesmente ridícula, mas compreensível diante das atitudes insanas e levianas de muitos motoristas. Não sou pé de chumbo, mas acho que andar numa estrada nos parcos 60 km/h é convidar ao sono e a desatenção. Oitentinha já tá bom, mas de 100 km/h para cima te obriga a ficar mais atento, vigilante. Entretanto, a alta velocidade aqui (certamente entre 120/130) é acompanhada de zigue-zagues perigosos e imprudentes.
Acompanho o que se passa à volta pelos retrovisores e tão logo vejo um afobado, cedo a pista. Mas as vezes não dá! E então fica aquela de sinal de luz, de colar na traseira e forçar a ultrapassagem. Fico fria, na minha e assim que possível saio da frente. Quando o infeliz força, mando um recadinho pelo retrovisor para que ele espere. Ou mando longe... afinal não aprendi a levitar!!
Fogo é quando estão todos no mesmo ritmo e vem um fdp querendo passar. Tu dá espaço e ele fica na tua frente, sem avançar e ainda reduz. Putz! Isso é irritante! Ganhou alguma coisa? Um carro de vantagem? Convenhamos... Ou então, o cara tá na pista da esquerda e simplesmente quer entrar num acesso à direita, assim.. de cara. Tipo: "que se danem os demais!" Isso é dirigir como se não houvesse mais ninguém à volta ou achar que tem preferência sempre.
Disse e repito: nem uma tranqueira me tira do sério, mas esses pulhas, sim. Então respiro fundo, coloco uma boa música e dirijo na minha. Acompanho o fluxo, observo, planejo meus caminhos. Faço o trajeto sempre na hora de maior movimento, então saio meia hora antes, o que ameniza muito os 30km que tenho que percorrer.
A volta é outra coisa. Não que seja melhor, pq já é tarde, tipo umas 22h40m, mas é diferente. O comportamento é um pouco diferenciado, mas nem por isso melhor. Como sou míope, a noite me deixa em desvantagem pois os faróis refletem bastante na lente do óculos e me irritam. Então tomo a direita e me mantenho sempre ali. Duro é encontrar com caminhões (a BR está sempre cheia deles e os mesmo são o maior exemplo de falta de educação) querendo passar. Esses realmente me deixam apreensiva, pois como trabalhamos com transportadoras, sei de histórias de arrepiar o cabelo por conta do tal "rebite". "Rebite" é como são chamadas as anfetaminas entre os caminhoneiros. Como tem um prazo para entregar determinada mercadoria, tomam o "rebite", no intuito dirigir à noite e não pegar no sono, ficando "acesos" e "presos" ao volante.
Quando chego em casa, agradeço ao Criador por estar inteirinha e junto da família. Espero que esses trajetos sejam tranquilos e tão logo terminem. Até a formatura... ou seja.. mais um ano! Até lá, continuo atenta, com o carro "nos trinques", e Deus no coração.


2 comentários:
Claúdia, uma vez numa BR, dirigindo uma Kombi, cruzei com uma desses possantes caminhões na estrada, o vácuo foi tão forte que estremeceu toda a lataria da Kombi, pensei na hora que ia morrer. Me concentrei e segui o caminho, firme no volante, mas, tem horas que este caos é mesmo de arrebentar com o juízo.
Abração
Pois é, Neto. Os caminhões realmente passam voando. Meu cascudinho (carinhoso apelido ao meu fiesta) chega a sacudir. Imagino uma kombi, cuja estabilidade não é tão "católica" assim.
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